Refletindo sobre as tempestades financeiras que fustigam a Europa e os Estados Unidos, Seth Zalkin, banqueiro americano vestido casualmente, tomava um cafezinho e parecia satisfeito com sua decisão de mudar-se para cá, em março, com sua mulher e o filho deles.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Estrangeiros seguem o dinheiro em direção ao Brasil
THE NEW YORK TIMES
"Se o resto do mundo está afundando, este é um bom lugar para estar", disse Zalkin, 39 anos.Para quem guarda uma recordação, mesmo que fraca, da crise da dívida vivida pelo próprio Brasil nos anos 1980, a ordem global foi colocada de ponta-cabeça. A economia dos EUA pode estar se arrastando de joelhos, mas no ano passado a do Brasil cresceu no ritmo mais acelerado de mais de duas décadas anteriores, e o desemprego está em baixa histórica, parte da transformação do Brasil de caso inflacionário perdido em um dos maiores credores de Washington.Com salários que rivalizam com os de Wall Street, tantos banqueiros, gerentes de fundos hedge, executivos petrolíferos, advogados e engenheiros estrangeiros vêm se mudando para cá que os preços de imóveis comerciais de alto padrão este ano superaram os de Nova York, fazendo do Rio a cidade mais cara das Américas em termos de aluguel desses espaços, segundo a empresa imobiliária Cushman & Wakefield.Uma mentalidade de corrida ao ouro domina o ambiente, com o número de autorizações de trabalho para estrangeiros subindo 144% nos últimos cinco anos, sendo que o contingente de profissionais altamente instruídos que vêm se radicando no Brasil é liderado por americanos.Não é de hoje que empresários sentem-se atraídos pelo Brasil, e o mesmo acontece com vigaristas interessados em enriquecer rápido, sonhadores com grandeza amazônica e até mesmo foras-da-lei como Ronald Biggs, o britânico que fugiu para o Rio depois de seu grande assalto a um trem postal inglês em 1963.Hoje, porém, as escolas que recebem alunos americanos e de outras famílias de língua inglesa têm longas listas de espera, apartamentos podem custar US$ 10 mil por mês nas áreas mais cobiçadas do Rio, e muitos dos recém-chegados são diplomados pelas melhores universidades dos EUA ou possuem experiência de trabalho nos pilares da economia global.Chegando aqui, eles se deparam com um país que enfrenta um desafio muito diferente daquele que é encarado pelos EUA e a Europa: o receio de que a economia esteja ficando superaquecida.Uma coisa que constitui um choque especial para os recém-chegados é a força do real. Isso pode beneficiar brasileiros que vêm comprando apartamentos em lugares como South Beach, em Miami, onde os imóveis custam cerca de um terço dos preços de imóveis equivalentes nos bairros de alto padrão do Rio. Mas prejudica os manufatureiros e exportadores brasileiros.Assim, em uma tentativa de impedir uma valorização ainda maior do real, o Brasil hoje é um dos maiores compradores de títulos do Tesouro americano, elevando seus interesses em jogo na economia americana enfraquecida. É uma quebra nítida com o passado, quando Washington ajudou a montar pacotes de resgate para o Brasil durante suas crises financeiras."O Brasil está se saindo muito bem, mas, francamente, semana sim, semana não eu me pergunto 'quando isto vai acabar?'", disse Mark Bures, 42, executivo americano que se mudou para o Rio em 1999, em tempo de assistir a uma desvalorização abrupta do real e outras oscilações acentuadas na prosperidade brasileira.Alguns poucos americanos que vivem no Brasil há mais tempo chegam a se recordar do último "milagre" econômico do país, no início dos anos 1970, quando o "Wall Street Journal" citou um banqueiro otimista no início de um artigo de primeira página, prevendo que "em dez anos o Brasil será uma das cinco maiores potências do mundo". Em lugar disso, o país acabou onerado com uma dívida externa assustadora.O boom recente das commodities e o crescimento do consumo interno, resultado da expansão da classe média, ajudaram a converter o Brasil em potência em ascensão que se recuperou facilmente da crise financeira global de 2008. No ano passado a economia cresceu 7,5%, e a expectativa é que este ano registre crescimento de 4% --menor, mas ainda invejável nos Estados Unidos.Apesar disso, o Brasil apresenta muitos desafios que podem desencorajar estrangeiros que chegam ao país. A legislação trabalhista dá preferência à contratação de profissionais brasileiros em lugar de estrangeiros, e o demorado processo de obtenção de um visto de trabalho pode surpreender quem não está acostumado à colossal burocracia brasileira.Alguns economistas consideram o real a moeda mais sobrevalorizada do mundo, com relação ao dólar, e a inflação vem subindo (conforme evidenciam Big Macs por US$6,16 e martínis por US$35). As taxas de juros teimam em continuar altas, e analistas discutem a possibilidade de estar se formando uma bolha de crédito, na medida em que os consumidores continuam mergulhados em uma orgia de compras de tudo, desde casas até carros, que já vem acontecendo há anos.O Brasil não está imune à turbulência nos mercados globais, e o real se enfraqueceu um pouco este mês. O mercado imobiliário carioca tem estado agitado com a aproximação da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, mas sua infraestrutura é insuficiente. Embora tenha diminuído em algumas regiões, a criminalidade violenta ainda assola grandes partes do país e também o Rio, que este mês enfrentou um incidente traumático de sequestro de um ônibus.Mesmo assim, os estrangeiros vêm chegando, e as autorizações de trabalho para eles aumentaram mais de 30% em número apenas em 2010, segundo o Ministério do Trabalho."Eu só falava um português muito básico, mas pude perceber que este lugar estava vivendo um boom", contou Michelle Noyes, 29, nova-iorquina que organizou uma conferência de fundos hedge em São Paulo. Pouco depois disso, ela deu o salto: mudou-se para o Brasil para trabalhar em uma firma de gerenciamento de ativos."Me mudei da periferia do setor para o centro", disse Noyes, citando cinco outros americanos, dois de Nova York e três de Chicago, que estão se mudando para o Brasil este mês para tentar sua sorte.Os americanos formam o maior grupo de estrangeiros que está se mudando para o Brasil, seguidos por contingentes de britânicos e outros europeus. Alguns vêm para contratos de trabalho temporários. Outros estão fundando empreendimentos pequenos ou grandes.O americano David Neeleman, fundador da JetBlue Airways, recentemente criou a companhia aérea brasileira de baixo custo Azul. Corrado Varoli, italiano que comandava desde Nova York as operações latino-americanas do Goldman Sachs, agora comanda seu próprio banco de investimentos em São Paulo. Novas ponto.coms brasileiras como a Baby.com.br, empresa on-line de venda de fraldas no varejo fundada este ano por dois primos americanos recém-saídos de escolas de administração de empresas como a Wharton e a de Harvard, às vezes conferem ao Brasil um clima de bolha não muito diferente daquele que reinava nos EUA em 1999.Outros estrangeiros vêm assumindo empregos em empresas brasileiras que estão crescendo com um boom resultante em parte do comércio do Brasil com a China."Nossos salários aqui no Brasil são pelo menos 50% mais altos que os salários pagos nos EUA por cargos estratégicos", disse Jacques Sarfatti, gerente para o Brasil da Russell Reynolds, firma que recruta executivos de empresas.Estrangeiros competem com brasileiros que retornam ao país, vindos do exterior. "É muito evidente que o mercado de trabalho está tão ruim em outros lugares", disse Dara Chapman, 45, californiana que é sócia de um fundo hedge carioca, o Polo Capital. Ela disse que vem recebendo inúmeros currículos de interessados em mudar-se dos EUA para o Brasil.As enormes descobertas brasileiras de petróleo na camada do pré-sal também vêm atraindo investidores e estrangeiros, entre os quais milhares de filipinos que trabalham em navios e plataformas petrolíferas marítimas. Para suas outras indústrias, o Brasil precisa de estimados 60 mil novos engenheiros, alguns dos quais precisam vir do exterior, em vista das insuficiências do sistema de ensino brasileiro."Eu me mudei para cá de Pequim um ano atrás e acho o potencial para o desenvolvimento profissional incrível", disse a chinesa Cynthia Yuanxiu Zhang, 27, gerente de uma empresa de tecnologia. "Já estou planejando estender minha estadia aqui para bem mais adiante nesta década."
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Inclusão de corretores de imóveis no Simples pode ser viabilizada por emenda
A reivindicação do benefício fiscal foi um dos pontos da sessão especial desta segunda-feira, aberta pelo senador Wilson Santiago (PMDB-PB). O senador José Pimentel (PT-CE) disse que o Congresso Nacional tem uma dívida com os corretores de imóveis, que é incluir a categoria no Simples Nacional
- Assumimos ali um compromisso de que, na próxima alteração que houvesse na Lei Geral, iríamos discutir a inclusão de outros setores, com um olhar especial para dois segmentos, os corretores de imóveis e os representantes comerciais, até porque esses segmentos são muito próximos.
Potencial
Gim Argello afirmou que os corretores de imóveis têm um papel importante neste momento de crise econômica mundial: os investidores procuram "refúgio seguro" para seu dinheiro no mercado imobiliário.
Por isso, na avaliação de Gim Argello, o potencial de crescimento do setor é grande. Hoje, de acordo com o senador, o mercado imobiliário representa apenas 5% do Produto Interno Bruto (PIB), contra 60% nos Estados Unidos e 40% na Europa.
- Se dobrarmos todo esse movimento, para chegar a 10%, vamos precisar de muito trabalho, de muitos corretores de imóveis, que realmente constroem a felicidade, principalmente dos mais humildes, em busca da casa própria.
Formação
A senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) citou estudo do Conselho Federal dos Corretores de Imóveis, segundo o qual 52% dos profissionais têm curso superior, e as formações mais recorrentes são Direito, Administração e Engenharia. Segundo ela, o curso superior em Negócios Imobiliários é uma das bandeiras da entidade para aumentar o nível de qualificação de seus profissionais.
O presidente do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), João Teodoro da Silva, afirmou que dados mais recentes indicam que os profissionais com cursos superiores já representam 64% da categoria. Teodoro apontou também crescimento da participação feminina, que hoje chega a 34% da categoria, contra 8,3% em 1995.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Setor imobiliário deve passar por momento de turbulência
Cláudio Marques, de O Estado de S. Paulo
Mas previsão do presidente do SindusCon, Sérgio Watanabe, é de que fase será breve
15 de agosto de 2011 | 15h 39
SÃO PAULO - Quando organizaram o 83º Encontro Nacional da Construção (Enic), os membros do Sindicato da Construção de São Paulo (SindusCon-SP)e da Câmara Brasileira da Construção (CBIC) não poderiam imaginar que o maior evento do setor, realizado de quarta a sexta-feira passadas, fosse ocorrer em meio a uma crise mundial que causa apreensão nos meios econômicos por todo o globo. No mercado imobiliário local, embora haja o consenso de que o Brasil vai sofrer com menos rigor os efeitos desse momento, a preocupação está na possibilidade de o panorama de crise influenciar a decisão de compra das famílias.
O presidente do SindusCon-SP, Sérgio Watanabe, prevê um momento de turbulência. "É claro que a crise sempre vai afetar o nível de confiança da população. No meu discurso de abertura do Enic, com a presença do governo, disse ser preciso combater a crise de forma que o investidor nacional e internacional e as famílias não percam a confiança na atitude de comprar, porque aí se retrai na decisão de compra, principalmente de imóvel. O setor vai passar por um momento de indefinição, de turbulência. Então, a decisão de comprar vai depender muito de como a crise afeta a economia brasileira", afirma Watanabe.
Ele acrescenta: "A questão da confiança é percebida de maneira diferente nas classes sociais. Quem tem aplicação no mercado financeiro é o primeiro a estar preocupado com a crise financeira. A classe C e a D que está indo para a C não estão muito preocupadas. Seus integrantes têm a percepção de que o País vai crescer e de que eles não vão perder o emprego. O trabalho ameaçado é o que mais afeta a decisão de compra".
Sócio fundador da construtora MZM - que atua no ABC -, Francisco Diogo Magnani acredita que o consumidor adie a decisão de compras num primeiro momento. "É o choque inicial. É natural que isso aconteça nos primeiros dias", afirma. Ele entende, porém, que se trata apenas de um momento de transição. "Tanto que estou tocando meus negócios."
O presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), João Crestana, diz que o momento é de muita ponderação. Mas, como o Brasil está muito voltado para seu mercado interno, acredita ele, logo o brasileiro vai perceber que seu emprego continua garantido e que os juros podem até nem aumentar mais. Assim, sustenta, a tendência é que o setor imobiliário seja pouco afetado.
Ele acredita que nem mesmo a ação de eventuais especuladores - que poderiam se refugiar nas aplicações de imóveis em consequência da volatilidade na bolsa - possa afetar o mercado, influenciando nos preços. "São dois, três pontos porcentuais de nosso mercado. A grande maioria está comprando para morar ou para instalar pequenos negócios", diz Crestana.
Mais fundos. Há, no entanto, quem aponte um crescimento no mercado de fundos imobiliários. Diretor da Brazilian Mortgages, Vitor Bidetti lembra que a volatilidade alta do mercado de ações beneficia os fundos imobiliários. Ele afirma que esse tipo de fundo já se valorizou cerca de 20% neste ano. E, sem citar números, diz que a procura aumentou um pouco após o rebaixamento da nota da dívida dos Estados Unidos.
Bidetti, porém, não crê em retração nas compras. "Não há movimento brusco de pessoas postergando a decisão de comprar a casa própria. Não de maneira relevante." A Brazilian Mortgages estrutura fundos imobiliários e administra um portfólio de mais de R$ 5 bilhões.
Estabilização. Professor da Real Estate da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), João da Rocha Lima Júnior diz que o Brasil tem possibilidade de sofrer um impacto amortecido como resultado da contração das economias nos Estados Unidos e Europa. Neste caso, a demanda por imóveis no Brasil poderá se manter. "Mas não a preços que cresçam todos os dias."
Para ele, a curva de crescimento de preços está mostrando sua última face, "que é a reorganização do tamanho do produto". "Nos últimos seis meses, saiu-se de uma oferta de imóveis de 3 e 4 dormitórios para imóveis de 2 e até 1 dormitório ou para imóveis muito pequenos. Isso significa acomodar no bolso do comprador um produto que tem algum dos seus anseios."
Segundo o professor da USP, a situação mostra que as empresas tiveram que readequar produto para se encaixar nos seus mercados, porque os preços, diz ele, estão subindo muito acima da renda dos compradores. Por tudo isso, Rocha Lima acredita que a crise poderá acelerar um movimento de estabilização de preços.
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